sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Estranho

OS AMANTES - RENÉ MAGRITTE

Seremos estranhos em mais alguns dias.
Sim, seremos estranhos!
Muito mais estranhos que agora quando mal sabemos nossos nomes
É o conhecer que modifica, que afasta, que desconhece.
Em breve nossos olhos se cruzarão, mas não irão se fixar.
Somos os estranhos que fazem da vida uma eterna efemeridade
É uma busca contínua por mais e mais estranhos
É uma tentativa - frustrante! – de olhar nos olhos alheios e não se estranhar.
Sim, seremos estranhos em mais alguns dias.
E o mais estranho é que seremos estranhos até ao espelho.

domingo, 16 de dezembro de 2007

Eu Quero o Natal

Músicas, filmes, enfeites.
"Então é Natal"
E eu quase nem percebi.
Como se a neve que desconheço
Congelasse-me o espírito.
E o meu pedido (pro Noel?)
É um ano novo.
Rápido. Bem mais rápido que o já velho.
Preciso ver no que vai dar a vida.
Preciso ver se a guerra acaba.
E eu quero logo o próximo natal
Quero cantar como John e Yoko
"Happy Xmas (War is Over)"
Eu quero a humanidade sã.
E isto então é a vida
E isto então é Natal.

Quebrando o espelho

Quantos amores perdidos e ódios encontrados
Por conta de que? A favor de quem?
No fim tudo isso é um nada.
Tentativa vã de impor verdades.
Mesmo sabendo que efêmeras,
Mesmo sabendo que inexistentes.
Mas é o velho desejo de salvar os outros.
Mesmo perdendo-se, mesmo sangrando...
Talvez valha a pena. Talvez;
Pode ser uma pena desperdiçar-se assim.
Preciso me ver como vejo os outros,
Pois sou parte do mundo e o espelho é um só.
Nada de espelho particular, nada de heroísmo.
Apenas humanidade.

Prisão em mim

Sou uma prisioneira!
"De onde vim, para onde vou"
São questionamentos que só me prendem
Porque ao indagar só me perco...
Sou prisioneira do labirinto da vida
E talvez,
Eu seja meu próprio minotauro.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Anjos de Luz

Vi um anjo de luz adormecer na escuridão. Parecia agitado. Talvez com medo. Dava a impressão de que era sua primeira vez no mundo. Mas havia algo em seu olhar.Algo que não consigo descrever ao certo...Uma espécie de chama! O que era aquilo? Olhos amedrontados e ainda sim seguros. Como pode? Não foi dificil perceber que havia algo distinto naquele ser. Algo que lhe assegurava uma incrivel vontade de seguir adiante. Mesmo deixando para trás parte de seu brilho. Pois este anjo, tão reluzente, resolveu apagar-se de repente e sem dar muitas explicações. Tentei perguntar o motivo. Mas ele desconversou dizendo: "serei incompreendido de qualquer forma". Foi quando então me ocorreu que talvez aquele anjo aqui estivesse justamente para entender o que os outros anjos não sabiam e provavelmente jamais iriam saber. Eu o fitava seriamente na esperança de compreender como um anjo poderia partir de seu lar, ciente do que estaria a perder e do prejuízo que poderia herdar e ainda sim estar tão seguro. Passado algum tempo nem precisei indagar. Ele mesmo disse que nos primeiros dias sentiu vontade de voltar.
Mas se perguntou "para onde?" e desistiu de desistir. Estava evidente...Aquele anjo, por algum motivo, negava o seu meio. Como se a claridade lhe incomodasse e a beleza angelical não lhe enxesse os olhos. "Seria ele então uma espécie de anjo caído?" "Não, não sou" - respondeu sorrindo e se antecipando a minha pergunta. Por vezes foi assim. Eu lhe sufoca de questionamentos e ele sempre com grande humildade e graciosidade me dizia que gostaria de saber também. Mas num certo dia, em meio a uma de nossas tantas conversas deixou escapar que a idéia vaga de perfeição o incomodava. A Verdade implicaria em relacionamento e não em si em conhecimento. Por este caminho teria chegado até aqui. É dificil descrever ao certo meus sentimentos ao lado deste ser/anjo/homem (não sei). Seus olhos expressavam uma bondade e sinceridade tremenda. Da mesma maneira como seu coração e alma se revelavam em cada palavra. Sinto vontade de ser assim também...d
e transmitir o que ele me transmitiu. Falar como... "Num lugar onde todos brilham é impossível ser útil. Assim, penso que seria melhor deixar de ser anjo. Pois a busca pela "perfeição" muitas vezes cega a quem deveria ver".
Após tantas lições, ele adormeceu e eu finalmente entendi que anjos de luz não deixam de ser anjos de luz nem mesmo diante da escuridão. Ao contrário, brilham mais.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

O que lamento

O que lamento não é o fato de não teres ficado, mas de teres partido sem me levar. Não em presença física, pois a essa altura já não desejaria ir. Mas em uma memória digna de ser lembrada como um sonho bom que não dá certo e do qual se fala com carinho. Certamente assim eu gostaria de ter sido levado. Mas talvez não tenha dado tempo. Entre nós a diferença de intensidade. O inicio, o meio e o fim foram meus. E o que foi teu afinal? Eu não sei...A brevidade talvez! Simular um querer para revelar querer nenhum machuca a quem quer. Machucou à mim. Dono dos sentimentos e ilusões. Esses olhares tão distintos mostram a total falta de sintonia pela qual nos tratávamos e diante da qual lado a lado éramos capazes de desejar coisas absolutamente contrárias. Não há motivo então para lamentar a ausência de afinidades. Mas o engano...ou melhor, a impressão de ter sido enganado. Esta sim, merece ser lamentada.

Retorno II

Não aceito o "não pensar"
Para definir é preciso sentir.
Querer é bom
Mas nem sempre acontece.
Talvez por isso tenha saído.
Talvez por isso tenha voltado.
Não nego que neguei.
Na verdade, vejo nas negações
Uma vontade de auto-afirmarção.
Que pecado pode haver em querer crescer
E entender o mundo em suas maiores dimensões?
Mas o pisar nem sempre é sólido e permanente.
O caminho do conhecimento geralmente é doloroso.
Porém se trilhado com fé, possível.
E que crime pode haver na fé?!
Existem verdades absolutas.
Eu pularia de um prédio para provar
Mas a gravidade não deixaria de existir por meu capricho.
Estou de volta.
Mas ainda tenho coragem para desafiar.
Porém até certo ponto.
Aprendi que limites devem ser respeitados para nosso próprio bem
E que é impossível não deixar parte de nós no passado.
Seja essa parte boa ou não.
Encaro meu regresso como progresso.
Parte de mim se perdeu no tempo
Diante das escolhas acertadas ou não que um dia fiz.
Todavia, o melhor...
O melhor está aqui!
No sentimento de pulsar da vida que Deus me deu.



A iconografia é de Rembrandt van Rijn (1606-1669) e se chama o Retorno do Filho Pródigo.

Retorno I

Está passando do tempo.
É somente o que sei.
Não é o "momento certo".
Pelo menos não o vejo assim.
Apenas um instante particular
Para se ousar tentar por necessidade.
Essa distância toda que criei para me proteger
Agora vai diminuir gradativamente.
Decidi arriscar!
Sem muitas razões
Sem todos os entendimentos
Com muitos desacordos
Eis o meu passo cético de fé.
Preciso acreditar que é possível.
Ao menos, mais uma vez.
Boa parte de mim provém daqui.
Estou atrasado.
Perdi tempo hesitando sobre destino
É hora de construí-lo de algum modo.
Por isso estou aqui de novo.
Sem saber ao certo o que esperar ou o que dizer.
Não quero ser visto como antes
Pois não sou o mesmo
E ainda procuro respostas.
Todavia, hoje, a vontade de perguntar já não é tanta.
As implicações do descobrir não são fáceis.
Exigem equilibrio e preparação.
Eu voltei...
Sabendo que a perfeição à rigor é apenas ingenuidade.

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Imperfeita Compleição

Estou cheia e vazia de mim.
Melhor! Cheia e vazia de sentir.
Às vezes tudo é tão claro e eu nada vejo
Ou tudo é tão escuro, mas assim mesmo eu percebo.
Limpidez e nebulosidade formam o meu céu.
Céu ou inferno. Já nem sei...
Vida humana: eis o que me torna incongruente,
Eis o que me faz escapista!
Mas o que escolher?
Se encher de vez ou se esvaziar?
Sentir de vez e tudo mesmo que sufoque?
Esvaziar-se tanto a ponto de sufocar com a inexistência?
Desvencilhar da natureza humana é impossível.
Mas o que me faz ter vida,
Também tem sido a fonte do meu silencioso envenenamento.

Pela Metade ou Em Guerra Fria

Hoje eu não terminei nada.
Todo começar ficou no caminho.
Eu não li, não assisti ao filme, não escrevi.
Talvez até isso agora fique pela metade.
Hoje eu estou metade.
Metade paz, metade guerra.
Eu: em guerra fria comigo mesma.
Eu no ataque e na defesa;
Eu espião e terrorista;
Em uma corrida insana que termina em nada.
Conquista do Espaço é ridículo
Na boca de quem não se encontra.
Meu Muro de Berlim está pela metade.
Metade construído ou destruído?
Pouco importa para quem não sabe terminar.
Espero é chegar logo na metade exata
Onde me ofereço a bandeira branca
E que não seja branca pela metade.

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Investindo em possibilidades

Há quem condene o uso do “se”.
Mas por algum motivo ele existe.
Serve ao menos para imaginar.
Hoje, poucos imaginam.
Talvez porque pensar “se” incomode...
Vamos incomodar um pouco?


Se a vida fosse simples talvez entendêssemos o que é o amor.
Se amar fosse fácil talvez o egoísmo se tornasse inexistente.
Se o egoísmo e os demais males da natureza humana não mais existissem,

A felicidade poderia ser comum a todos.
Se a possibilidade de ser feliz fosse real, teríamos um verdadeiro motivo para lutar.
Se lutar valesse à pena, vislumbraríamos bravos guerreiros a cada amanhecer.
Se bravos guerreiros doassem vidas em batalhas realmente proveitosas, a sociedade seria mais honrosa.
Se todos entendessem o que é honra não teríamos tanto que reivindicá-la.
Se não precisássemos reivindicar tanto, teríamos um porque de ter esperança.
Se a esperança não estivesse camuflada em mera ilusão,

O tal "mundo melhor" estaria mais próximo.
Se o mundo melhor fosse vivido,

Talvez obtivéssemos uma explicação natural para o significado complexo do amor.
Assim, palavras como felicidade e paz deixariam de parecer tão utópicas,

Tornando-se visíveis segundo o exercício constante de nossas ações.


Esse é o poder do “se”: evidenciar o que nos falta!
Porém transformar sempre exige mais.
Mais que palavras e vontades.
Por enquanto o cenário é de permanências.
E não serão promessas descabidas que darão fim ao uso do “se”.
O Brasil que o diga!

Todo ano de eleição a pobreza, miséria, fome, discriminação racial, violência, etc.,
Instigam o uso do “se” na ausência das soluções a tanto esperadas.

Se eu fosse um profeta diria: logo logo as lágrimas inundarão o solo em que o ser humano fixar morada, até que num dia nada belo sobrevirá um afogamento de tristezas e proclamará o fim de nossa espécie. Mas como não sou e ainda bem que não o sou, digo apenas o que já é do conhecimento de todos: nossa sociedade está cada vez mais decadente justamente por ignorar o essencial e SE esquecermos o que é essencial...ai sim, estaremos definitivamente perdidos.

Alguma dúvida?!

Ao me perguntar “quando?”
Cria-se um silêncio
Diante da constatação minimamente absurda de que faz tempo
E o tempo fez tanta coisa acontecer...
Mas é o que não aconteceu que entristece
E o que permaneceu que angustia.
Ao refletir sobre “como?”
Encontro apenas sentimentos.
Intensos...sem nexos...dispersos...vibrantes...
Todavia, insuficientes, para o objetivo no qual se propunham.
Indago-me “por quê?”
E sofro, antes de tudo, por conhecer a resposta.
“Até quando?”


Para o momento, talvez a mais significativa das perguntas.

domingo, 11 de novembro de 2007

Te intuir

Criar sentidos,
Organizar,
Construir...
É mesmo válido?
Até que ponto?
Estou com medo
Inconstância: inconstante!
Pois posso
Mas não sei se quero.
Não. Não quero.
Chega de sentidos
Chega dos outros
Adequo-me: egoísmo?
Não sei o que há
Só quero o agora.
Só quero o encontro
Com a tua intuição.

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Indignado com a luz

Decida-se sobre quem sou eu.
Decida-se se tenho ou não luz.
Decida-se e me diga as razões.
Antes vc me considerou estrela
E eu também te vi assim.
Antes eu militante - eu estudante.
Hoje eu militante - eu aluna, a-luz.
Mas o que me faz ter luz?
O que me faz a-luz?
Ter luz própria me tornou sem luz;
Ou luz opaca para tua "Marx"-luz.
Ou luz demais para tua luz segmento?
Estou cegando "educador"...
Para a multidão para quem me ensinou a ser (tua) luz,
Hoje te deixo mudo, surdo, cego.
Eu a-luz, aluna
Que já não encontra a tua luz.
Que está cegando "educador".
"Educador" sim, indignado com a luz.

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Música para esse post.: Aloha - Legião Urbana

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Manchete de Faroeste

Procura-se esperadamente um ser humano que se perdeu. Na verdade, não se sabe muito bem se ele está perdido, talvez esteja apenas escondido...Mas o fato é que desapareceu. Não deixou bilhetes, nem avisos. Muito menos vestigios. Numa das ultimas ocasiões em que foi visto, andava distante...como se o seu mundo não fosse aqui. Sua aparência continha certo cansaço e mais do que nunca as palavras lhe foram raras. Ninguém conseguiu descrever como era o seu sorriso. Por isso é quase impossivel chegar a entender ou descrever os sentimentos daquele ser...aparentemente normal...aparentemente real. Na escola, seu lugar ficou vago. No trabalho, o posto que era seu foi ocupado no mesmo dia do sumiço. A familía prefere não falar sobre o caso. Mas a mulher que ele amava afirma: "foi melhor assim". Na semana passada alguém encontrou um papel amassado e jogado junto ao chão de um quarto escuro. Nele, pequenas frases contraditórias que são associadas ao referido desaparecido..."definitivamente, estou ausente de mim"..."ah, finalmente um pouco do que sou"..."droga, estou preso". A policia descarta a possibilidade de suicidio. Todavia, o que realmente terá acontecido!?!? Esta é a resposta que ninguém quer revelar. Qualquer noticia, por favor comunicar. Já estou farto de procurar por mim.

domingo, 28 de outubro de 2007

VIVA! - A Nós

Uma chuva de sentimentos me apodera
E é tão intenso que quase sufoca.
Não vou dizer que dói
Pois até os que machucam
Fazem parte de algo maior e melhor.
Hoje eu me privo da velha questão
Hoje eu sinto!

[VIVA!]

Mas e a chuva de onde vem?
Vem dos outrs? Vem de mim? Não sei.
Onde cada gota acalma e irriga o nascer
De cada novo sentir, de nova torrente
Eu não sei a validade da chuva.
Sinto que sinto e no momento,
É isso que me faz viver.
E viver em mim.

[VIVA!]

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Mais um fica

Rostos inúmeros e números sem rostos.
Lembranças mudas de um dia qualquer.
Sem cor ou brilho, sabemos o mínimo:
Aconteceu.
Essa satisfação é estranha porque ainda somos estranhos!
E seguimos...
Em meio ao sol ou a chuva, na procura (in)constante por mais um.
Bom momento?
Transitório evento!
De palavras desconexas e sentimentos esvaziados por conta do desejo.
Ontem pensado como normal, hoje revisto em companhia da solidão.
Calados, sangramos...
E por vezes deixamos outros num chão de migalhas.
Mas por que se importar?
Foi só mais um fica que não ficou.
Foi só a nossa alma que nos deixou.

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Desencontro

Quando há encontros...
Verdades / Mentiras
Medo / Coragem
Amanhã / Hoje / Ontem
Desejos / Realizações

Quando há encontros
Eu não me encontro
Não sei me achar...

Confundo-me com meus
Erros / Acertos
Erros e acertos
Já não sei.

Não sei se vou
Quem sou
Se sou...

Eu: perdida em mim mesma!

terça-feira, 2 de outubro de 2007

Incongruências

Dizem que as aparências enganam.
Mas será que enganam mesmo
Ou somos nós que percebemos o mundo
De forma mesquinha para nossos sentidos?
Fingimos estar prontos para o amor
E nos “entregamos” sem nem ao menos
Ter uma vaga compreensão do próprio eu.
Dizemos conhecer os nossos amores,
Mas raramente os encontramos
Com os olhos da alma.
Somos adultos demais e crianças demais.
Sempre na exata medida errada.
Somos seres humanos!
Mesquinhos demais para sentimentos
Egoístas demais para admitir erros.
Ser humano é que engana.

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Meus devaneios utópicos

Meu mundo, de súbito, encolheu!
Estou atônito!
A música de um minuto atrás
Agora soa como ruído.
Onde está? Onde está?
Nesse mundo as fronteiras são minúsculas.
Quem mudou as cores da bandeira?
Alguém explica?
Não encontro razão ou motivo aparente.
Mas tudo é...
De alguma forma.
Que perfeito!
Avisaram que ia mudar?
Ah não importa!
Nem sempre há tempo.
O solo é nosso e isso importa.
A liberdade também.
Chega deste sentimento de prisão.
Ontem...
Eu lembro...
Sonhei...
E no sonho vi aquela a quem chamavam "Justiça"
Não sei o que isso significa
Mas não pode ser apenas uma penumbra.
Vejo fagulhas no ar.
Posso até morrer antes
Porém o velho mundo há de acabar.

Neste instante sinto-me enorme!
Maior que o próprio mundo!
Como pode?
Não....não sou esnobe.
Também fiquei assustado...
Mas de que serve o medo
Quando em minhas mãos estão as soluções?
Cansei de ser eu o pequeno.
Sei que posso fazer!
Não importa o quê.
O menor dos atos aqui é válido.
Pra quê ser adorado?
Nossa história ainda não é cinema.
Primeiro a utilidade!
Não há mágica para crescer.
É preciso querer.
Veja!
Os nossos braços cruzados
Se descruzam por qualquer reflexo
Como se qualquer final fosse bem vindo.
O incômodo que levemente sentimos
Ou que constantemente ignoramos
É o desarranjo da famigerada e desajustada realidade social.
Nexos?
Como?
Se só se constrói para a destruição?!
Onde está o progresso?
É hora de desacostumar!
Mudar os rumos e perspectivas.
Criar novas tradições!
Não estou sonhando...
Pelo contrário!
Neste instante nego o meu próprio hábito de caminhar dormindo.
Pois o mundo melhor
Cheio de pessoas grandes, iguais e humanas
Pode existir, eu sei!
Talvez precisemos apenas crescer
Não mais que os outros.
Mas como os outros.
Para mudar não apenas uma,
Porém quantas realidades forem possiveis.
Acredite!
O mundo melhor, ao contrário do que se pensa,
É maior e menor ao mesmo tempo e em muitos sentidos.

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Insônia


Vazio
Silêncio
É tudo o que sobrou
Pra sentir
Pra pensar
Até falar
Tudo sem sentido
O que sobrou não é nada
Melhor dormir
Ou fingir
Pra esquecer
Ao menos tentar
Viver
É dificil
Seguir
Prosseguir
Sem sair
Do lar
Do lugar
Mas é preciso
Sonhar
Andar
Querer sentir
Cada instante
O vento
O mar
Ouvir
Além das palavras
Ver a terra e o céu
Sem limites
Sem medo
Sendo o que sou
Por mim
Não pelo mundo
Não este mundo
Vazio
Mesquinho
Presente
Em cada esquina
Em cada rosto
Em cada beco
Sujo
Manchado pela descrença
Que droga!
Isso mata!
Está me matando
Mas só por dentro
Enquanto alguém
De fato está morrendo
De frio
De fome
De bala
Abalo!
É o que me causa
A causa destes seres
Os construtores
De um futuro
Definido
Pelas indefinições
Concernente ao destino
De tantas vidas
E por tão poucas vidas.
O que há de errado?
Melhor dormir...
Pra esquecer
Eu também tenho que viver
Conformado
Satisfeito
Em silêncio
Se possível, sorrindo
Para a câmara e o congresso
...
Não!
Não vou dormir esta noite!
Prefiro o pouco que me resta
Dessa onda de sanidade
Que dentro da normalidade
É cada vez mais insana
Ainda sim
Prefiro o vírus
Chamado:
Humanidade!

Devaneio II

Viver plenamente...
Como é bom!!!!
Foi bom...
Como é?
Não sei mais...
Tão rápido!
Será que foi pleno??
O pleno seria pequeno?!!?
O que é grande então?!!?
Existe a desplenitude?

Devaneio I

Amo e sofro.
Mas amar não é sofrer.
Embora, sofrer seja não amar.
Eu sofro porque sinto que ainda não sinto o que queria sentir.
E não sentir sim, é sofrer.
Mas quem ama também sofre.
Por que sofre?
Se amar é viver,
Como viver sofrendo amando?
Como amar vivendo sofrendo?
Como sofrer amando vivendo?
Se sinto o que ainda não sinto, o que sinto afinal?
Não pode ser nada...
Se fosse, eu estaria morto e nada teria para deixar.
Mas ainda há um mistério
E morto ou não, estou aqui a procurar.
Querendo confirmar
O que talvez muitos já saibam:
É bom viver!
Acima de tudo com amor!
O tal amor que supera gotas de sofrimento
E faz valer os instantes de dificuldade.
Eis aí a explicação
Para o meu sentimento de falta:
O desconhecido se mantém longe.

sábado, 22 de setembro de 2007

Maternidade em construção

Conviver é algo belo.
Inquieta-me é bem verdade,
Os conceitos e limites da vida.
Imposições sem sentido
Ou com sentido apenas para
Catalogar as nossas mais
miúdas certezas: nossos sentimentos.
Sentir! Algo tão simples e complexo
Que me pergunto se é mesmo possível.
Inimaginável tornou-me a vida
Sem tantas guerras e o deleitável
Abraço de puro amor. Amor que
Me leva a tantos campos de batalha
Para maternalmente me mostrar
A complexidade; mas acima de tudo
A beleza do conviver...
Guerreando ou não, eu convivo
Para me fixar em ser tua filha.

sábado, 15 de setembro de 2007

O Caminhante

Piso em terreno desconhecido:
Piso em corações.
Quem dera eu, pobre terreno para frios pés,
Aprender a flutuar...
Porque Senhor, me deste pés e terreno?
Melhor seria, Deus meu, não ter pernas
E ser pântano que os homens evitassem.
Mas não; Tu me deste pés e terreno.
Pobre de mim:
Pernas e terreno para frios pés!


sábado, 8 de setembro de 2007

Conhecendo Deus



Caminho para um lugar mágico.
Eu supunha conhecer,
mas a cada passo vejo que não.
Não é o que me falaram,
não é o que eu pensava.
Me sinto segura ao entrar
mas o medo insiste em me segurar
na realidade de outrora.
A vida nunca foi tão sentida como agora
e a busca pela humanidade,
pela verdadeira natureza do homem
parece chegar ao fim.
Não por ter encontrado a tão sonhada explicação,
mas por sentir...

Deus, dê-me a felicidade de viver 365 dias
todos REPLETOS de tua presença!

Eis a mágica em mim.

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Carpe Diem

A distancia da morte a vida
Parece-me um nada.
Um respirar talvez. Nada mais.
Todo segundo vivido não é afinal,
Um segundo morto?
Só não sei dizer se é a morte que nos persegue
Ou se somos nós que perseguimos a morte.
Nós, criaturas ávidas de futuro.
Viver no imediato talvez seja a forma mais eficaz
De enganar a morte. Ou melhor: enganar a nós mesmos.
Nós, criaturas passado/futuro sempre...
E o presente talvez seja mesmo um presente de Deus;
Um presente a ser usufruído no momento exato
Em que vida e morte se misturam.

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

O que penso que somos


Somos o raso e o profundo.
A inquietude do visível
E a insatisfação do sentido.
Somos assombrados pelo que não vemos
E satisfeitos com o que não sentimos.
Definitivamente não somos o bem.
Tão pouco o mal.
Somos humanos!
Concretos na abstração dos pensamentos
E meros retratos quando entregues a uma realidade.
Somos a plenitude em sua forma fragmentada
Que só é adicionada
Na contínua busca do dia-a-dia.

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

A morte na saudade

Será a morte mesmo o fim de tudo?
Será ela tão ruim assim ou sou eu,
bicho humano, desumana perante a vida?
Não sei chorar por quem se vai pra sempre,
mas rasgo o peito quando se vai ali.
Ato incompreensível ou incompreendido?
Não sei, não sei, não sei...
Só sei que em breve irei chorar.

E choro...

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Querer o novo.

Hoje quero o novo.
Aceito qualquer coisa.
Preciso mesmo é de outros ares.
Quero correr de mim.
Talvez seguir o sol.
Parar em algum lugar.
Descansar no desconhecido.
Ficar exaustamente mudo.
Esquecer o vivido.
Observar atentamente o nada.
Ser a pura abstração!
Andar pela liberdade.
Nascer todos os dias.
Talvez seguir o vento.
Sempre em movimento.
Passar despercebido.
Conhecer a minha força.
Deixar marcas.
Ser vital.
Talvez letal.
Hoje quero o novo...
O novo que existe desde ontem
E continuará sendo parte do amanhã.
Eis a maior novidade:
Ela não existe, se não dentro de nós.

terça-feira, 28 de agosto de 2007

Ideal versus Real

Daqui algumas horas poderei ser dois.
Poderei ser o que gostaria e também o que já sou.
O Ideal fará o melhor possível.
Mas o Real não se contentará.
Partirá em busca de mais uma aventura
Que não somente passará, porém deixará conseqüências.
Talvez lamente a escolha feita
Talvez finalmente conheça o “eu sombrio” que existe em mim.
O fato é que o Ideal voltará!
Fraco...sem forças...
Tentando a qualquer custo sobreviver.
Tenho dois encontros marcados!
Ambos para logo mais.
Para um não cabe o Real.
Para outro é imprópria à presença do Ideal.
Para onde ir?
Como ficar?
Quem ser afinal?
Poderei ser dois...
Por pouco tempo!
Alguém sairá fortalecido.
Que vença o melhor...
De mim.

domingo, 26 de agosto de 2007

O produto da vida

Todos os meus pensamentos caminham para um só
e apesar de algum conhecimento sobre eles
eu desconheço o produto.
Tão indecifrável é a vida
que antes ser devorado de imediato pela esfinge
do que buscar respostas para convencê-la
de uma verdade: inexistente (?)
Talvez a esfinge seja criada no momento exato
do exercício do pensar...
"Decifra-me ou te devoro"
Aí está o produto da vida!

Eterna Busca


Basta tão pouco para sair de rota.
Que me pergunto se estava no caminho certo.
Aliás, existe esse caminho?
Há tantas possibilidades.
Como escolher apenas uma?
Viver é tão simples que mesmo sem esforço conseguimos atravessar mais um dia.
Entender a vida é tão complicado que passamos anos sem conseguir tal proeza.
Sinto-me desnorteado neste instante.
Estruturas abaladas.
O prédio ameaça ruir.
O que vem depois da queda?
Reconstrução ou esquecimento?
Será a queda ou a chance de restaurar?
Espírito, valores, ideais...
Isso importa? Para que? Para quem?
Em qual situação?
Para onde ir?
O que fazer?
Todo o tempo...
Tendo que decidir.
Escolher...
Não é fácil!
A menos que se coloque uma venda nos olhos para caminhar sem ver.
Assim, qualquer caminho leva a direção desejada.
É...existe o tal do único caminho.
Mas também o preço a se pagar por uma só visão.
Preferível...
Ser um cego direcionado a qualquer lugar
Ou um observador errante traído por seus próprios olhos?
Na verdade, a ambos falta plenitude.
Bem, a vida me chama...
Hora de tomar alguma rota!

Escapismo

As pessoas me sufocam,
Os livros não!
Os livros são uma liberdade
tão incrível e perigosa quanto o mar...
As pessoas não!
Pessoas são calabouços,
são labirintos do quais não consigo fugir.
Não é possível viver sem pessoas,
mas evito a entrada
(re)correndo aos livros.