sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Meus devaneios utópicos

Meu mundo, de súbito, encolheu!
Estou atônito!
A música de um minuto atrás
Agora soa como ruído.
Onde está? Onde está?
Nesse mundo as fronteiras são minúsculas.
Quem mudou as cores da bandeira?
Alguém explica?
Não encontro razão ou motivo aparente.
Mas tudo é...
De alguma forma.
Que perfeito!
Avisaram que ia mudar?
Ah não importa!
Nem sempre há tempo.
O solo é nosso e isso importa.
A liberdade também.
Chega deste sentimento de prisão.
Ontem...
Eu lembro...
Sonhei...
E no sonho vi aquela a quem chamavam "Justiça"
Não sei o que isso significa
Mas não pode ser apenas uma penumbra.
Vejo fagulhas no ar.
Posso até morrer antes
Porém o velho mundo há de acabar.

Neste instante sinto-me enorme!
Maior que o próprio mundo!
Como pode?
Não....não sou esnobe.
Também fiquei assustado...
Mas de que serve o medo
Quando em minhas mãos estão as soluções?
Cansei de ser eu o pequeno.
Sei que posso fazer!
Não importa o quê.
O menor dos atos aqui é válido.
Pra quê ser adorado?
Nossa história ainda não é cinema.
Primeiro a utilidade!
Não há mágica para crescer.
É preciso querer.
Veja!
Os nossos braços cruzados
Se descruzam por qualquer reflexo
Como se qualquer final fosse bem vindo.
O incômodo que levemente sentimos
Ou que constantemente ignoramos
É o desarranjo da famigerada e desajustada realidade social.
Nexos?
Como?
Se só se constrói para a destruição?!
Onde está o progresso?
É hora de desacostumar!
Mudar os rumos e perspectivas.
Criar novas tradições!
Não estou sonhando...
Pelo contrário!
Neste instante nego o meu próprio hábito de caminhar dormindo.
Pois o mundo melhor
Cheio de pessoas grandes, iguais e humanas
Pode existir, eu sei!
Talvez precisemos apenas crescer
Não mais que os outros.
Mas como os outros.
Para mudar não apenas uma,
Porém quantas realidades forem possiveis.
Acredite!
O mundo melhor, ao contrário do que se pensa,
É maior e menor ao mesmo tempo e em muitos sentidos.

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Insônia


Vazio
Silêncio
É tudo o que sobrou
Pra sentir
Pra pensar
Até falar
Tudo sem sentido
O que sobrou não é nada
Melhor dormir
Ou fingir
Pra esquecer
Ao menos tentar
Viver
É dificil
Seguir
Prosseguir
Sem sair
Do lar
Do lugar
Mas é preciso
Sonhar
Andar
Querer sentir
Cada instante
O vento
O mar
Ouvir
Além das palavras
Ver a terra e o céu
Sem limites
Sem medo
Sendo o que sou
Por mim
Não pelo mundo
Não este mundo
Vazio
Mesquinho
Presente
Em cada esquina
Em cada rosto
Em cada beco
Sujo
Manchado pela descrença
Que droga!
Isso mata!
Está me matando
Mas só por dentro
Enquanto alguém
De fato está morrendo
De frio
De fome
De bala
Abalo!
É o que me causa
A causa destes seres
Os construtores
De um futuro
Definido
Pelas indefinições
Concernente ao destino
De tantas vidas
E por tão poucas vidas.
O que há de errado?
Melhor dormir...
Pra esquecer
Eu também tenho que viver
Conformado
Satisfeito
Em silêncio
Se possível, sorrindo
Para a câmara e o congresso
...
Não!
Não vou dormir esta noite!
Prefiro o pouco que me resta
Dessa onda de sanidade
Que dentro da normalidade
É cada vez mais insana
Ainda sim
Prefiro o vírus
Chamado:
Humanidade!

Devaneio II

Viver plenamente...
Como é bom!!!!
Foi bom...
Como é?
Não sei mais...
Tão rápido!
Será que foi pleno??
O pleno seria pequeno?!!?
O que é grande então?!!?
Existe a desplenitude?

Devaneio I

Amo e sofro.
Mas amar não é sofrer.
Embora, sofrer seja não amar.
Eu sofro porque sinto que ainda não sinto o que queria sentir.
E não sentir sim, é sofrer.
Mas quem ama também sofre.
Por que sofre?
Se amar é viver,
Como viver sofrendo amando?
Como amar vivendo sofrendo?
Como sofrer amando vivendo?
Se sinto o que ainda não sinto, o que sinto afinal?
Não pode ser nada...
Se fosse, eu estaria morto e nada teria para deixar.
Mas ainda há um mistério
E morto ou não, estou aqui a procurar.
Querendo confirmar
O que talvez muitos já saibam:
É bom viver!
Acima de tudo com amor!
O tal amor que supera gotas de sofrimento
E faz valer os instantes de dificuldade.
Eis aí a explicação
Para o meu sentimento de falta:
O desconhecido se mantém longe.

sábado, 22 de setembro de 2007

Maternidade em construção

Conviver é algo belo.
Inquieta-me é bem verdade,
Os conceitos e limites da vida.
Imposições sem sentido
Ou com sentido apenas para
Catalogar as nossas mais
miúdas certezas: nossos sentimentos.
Sentir! Algo tão simples e complexo
Que me pergunto se é mesmo possível.
Inimaginável tornou-me a vida
Sem tantas guerras e o deleitável
Abraço de puro amor. Amor que
Me leva a tantos campos de batalha
Para maternalmente me mostrar
A complexidade; mas acima de tudo
A beleza do conviver...
Guerreando ou não, eu convivo
Para me fixar em ser tua filha.

sábado, 15 de setembro de 2007

O Caminhante

Piso em terreno desconhecido:
Piso em corações.
Quem dera eu, pobre terreno para frios pés,
Aprender a flutuar...
Porque Senhor, me deste pés e terreno?
Melhor seria, Deus meu, não ter pernas
E ser pântano que os homens evitassem.
Mas não; Tu me deste pés e terreno.
Pobre de mim:
Pernas e terreno para frios pés!


sábado, 8 de setembro de 2007

Conhecendo Deus



Caminho para um lugar mágico.
Eu supunha conhecer,
mas a cada passo vejo que não.
Não é o que me falaram,
não é o que eu pensava.
Me sinto segura ao entrar
mas o medo insiste em me segurar
na realidade de outrora.
A vida nunca foi tão sentida como agora
e a busca pela humanidade,
pela verdadeira natureza do homem
parece chegar ao fim.
Não por ter encontrado a tão sonhada explicação,
mas por sentir...

Deus, dê-me a felicidade de viver 365 dias
todos REPLETOS de tua presença!

Eis a mágica em mim.

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Carpe Diem

A distancia da morte a vida
Parece-me um nada.
Um respirar talvez. Nada mais.
Todo segundo vivido não é afinal,
Um segundo morto?
Só não sei dizer se é a morte que nos persegue
Ou se somos nós que perseguimos a morte.
Nós, criaturas ávidas de futuro.
Viver no imediato talvez seja a forma mais eficaz
De enganar a morte. Ou melhor: enganar a nós mesmos.
Nós, criaturas passado/futuro sempre...
E o presente talvez seja mesmo um presente de Deus;
Um presente a ser usufruído no momento exato
Em que vida e morte se misturam.

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

O que penso que somos


Somos o raso e o profundo.
A inquietude do visível
E a insatisfação do sentido.
Somos assombrados pelo que não vemos
E satisfeitos com o que não sentimos.
Definitivamente não somos o bem.
Tão pouco o mal.
Somos humanos!
Concretos na abstração dos pensamentos
E meros retratos quando entregues a uma realidade.
Somos a plenitude em sua forma fragmentada
Que só é adicionada
Na contínua busca do dia-a-dia.