segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Manchete de Faroeste

Procura-se esperadamente um ser humano que se perdeu. Na verdade, não se sabe muito bem se ele está perdido, talvez esteja apenas escondido...Mas o fato é que desapareceu. Não deixou bilhetes, nem avisos. Muito menos vestigios. Numa das ultimas ocasiões em que foi visto, andava distante...como se o seu mundo não fosse aqui. Sua aparência continha certo cansaço e mais do que nunca as palavras lhe foram raras. Ninguém conseguiu descrever como era o seu sorriso. Por isso é quase impossivel chegar a entender ou descrever os sentimentos daquele ser...aparentemente normal...aparentemente real. Na escola, seu lugar ficou vago. No trabalho, o posto que era seu foi ocupado no mesmo dia do sumiço. A familía prefere não falar sobre o caso. Mas a mulher que ele amava afirma: "foi melhor assim". Na semana passada alguém encontrou um papel amassado e jogado junto ao chão de um quarto escuro. Nele, pequenas frases contraditórias que são associadas ao referido desaparecido..."definitivamente, estou ausente de mim"..."ah, finalmente um pouco do que sou"..."droga, estou preso". A policia descarta a possibilidade de suicidio. Todavia, o que realmente terá acontecido!?!? Esta é a resposta que ninguém quer revelar. Qualquer noticia, por favor comunicar. Já estou farto de procurar por mim.

domingo, 28 de outubro de 2007

VIVA! - A Nós

Uma chuva de sentimentos me apodera
E é tão intenso que quase sufoca.
Não vou dizer que dói
Pois até os que machucam
Fazem parte de algo maior e melhor.
Hoje eu me privo da velha questão
Hoje eu sinto!

[VIVA!]

Mas e a chuva de onde vem?
Vem dos outrs? Vem de mim? Não sei.
Onde cada gota acalma e irriga o nascer
De cada novo sentir, de nova torrente
Eu não sei a validade da chuva.
Sinto que sinto e no momento,
É isso que me faz viver.
E viver em mim.

[VIVA!]

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Mais um fica

Rostos inúmeros e números sem rostos.
Lembranças mudas de um dia qualquer.
Sem cor ou brilho, sabemos o mínimo:
Aconteceu.
Essa satisfação é estranha porque ainda somos estranhos!
E seguimos...
Em meio ao sol ou a chuva, na procura (in)constante por mais um.
Bom momento?
Transitório evento!
De palavras desconexas e sentimentos esvaziados por conta do desejo.
Ontem pensado como normal, hoje revisto em companhia da solidão.
Calados, sangramos...
E por vezes deixamos outros num chão de migalhas.
Mas por que se importar?
Foi só mais um fica que não ficou.
Foi só a nossa alma que nos deixou.

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Desencontro

Quando há encontros...
Verdades / Mentiras
Medo / Coragem
Amanhã / Hoje / Ontem
Desejos / Realizações

Quando há encontros
Eu não me encontro
Não sei me achar...

Confundo-me com meus
Erros / Acertos
Erros e acertos
Já não sei.

Não sei se vou
Quem sou
Se sou...

Eu: perdida em mim mesma!

terça-feira, 2 de outubro de 2007

Incongruências

Dizem que as aparências enganam.
Mas será que enganam mesmo
Ou somos nós que percebemos o mundo
De forma mesquinha para nossos sentidos?
Fingimos estar prontos para o amor
E nos “entregamos” sem nem ao menos
Ter uma vaga compreensão do próprio eu.
Dizemos conhecer os nossos amores,
Mas raramente os encontramos
Com os olhos da alma.
Somos adultos demais e crianças demais.
Sempre na exata medida errada.
Somos seres humanos!
Mesquinhos demais para sentimentos
Egoístas demais para admitir erros.
Ser humano é que engana.