segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Imperfeita Compleição

Estou cheia e vazia de mim.
Melhor! Cheia e vazia de sentir.
Às vezes tudo é tão claro e eu nada vejo
Ou tudo é tão escuro, mas assim mesmo eu percebo.
Limpidez e nebulosidade formam o meu céu.
Céu ou inferno. Já nem sei...
Vida humana: eis o que me torna incongruente,
Eis o que me faz escapista!
Mas o que escolher?
Se encher de vez ou se esvaziar?
Sentir de vez e tudo mesmo que sufoque?
Esvaziar-se tanto a ponto de sufocar com a inexistência?
Desvencilhar da natureza humana é impossível.
Mas o que me faz ter vida,
Também tem sido a fonte do meu silencioso envenenamento.

Pela Metade ou Em Guerra Fria

Hoje eu não terminei nada.
Todo começar ficou no caminho.
Eu não li, não assisti ao filme, não escrevi.
Talvez até isso agora fique pela metade.
Hoje eu estou metade.
Metade paz, metade guerra.
Eu: em guerra fria comigo mesma.
Eu no ataque e na defesa;
Eu espião e terrorista;
Em uma corrida insana que termina em nada.
Conquista do Espaço é ridículo
Na boca de quem não se encontra.
Meu Muro de Berlim está pela metade.
Metade construído ou destruído?
Pouco importa para quem não sabe terminar.
Espero é chegar logo na metade exata
Onde me ofereço a bandeira branca
E que não seja branca pela metade.

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Investindo em possibilidades

Há quem condene o uso do “se”.
Mas por algum motivo ele existe.
Serve ao menos para imaginar.
Hoje, poucos imaginam.
Talvez porque pensar “se” incomode...
Vamos incomodar um pouco?


Se a vida fosse simples talvez entendêssemos o que é o amor.
Se amar fosse fácil talvez o egoísmo se tornasse inexistente.
Se o egoísmo e os demais males da natureza humana não mais existissem,

A felicidade poderia ser comum a todos.
Se a possibilidade de ser feliz fosse real, teríamos um verdadeiro motivo para lutar.
Se lutar valesse à pena, vislumbraríamos bravos guerreiros a cada amanhecer.
Se bravos guerreiros doassem vidas em batalhas realmente proveitosas, a sociedade seria mais honrosa.
Se todos entendessem o que é honra não teríamos tanto que reivindicá-la.
Se não precisássemos reivindicar tanto, teríamos um porque de ter esperança.
Se a esperança não estivesse camuflada em mera ilusão,

O tal "mundo melhor" estaria mais próximo.
Se o mundo melhor fosse vivido,

Talvez obtivéssemos uma explicação natural para o significado complexo do amor.
Assim, palavras como felicidade e paz deixariam de parecer tão utópicas,

Tornando-se visíveis segundo o exercício constante de nossas ações.


Esse é o poder do “se”: evidenciar o que nos falta!
Porém transformar sempre exige mais.
Mais que palavras e vontades.
Por enquanto o cenário é de permanências.
E não serão promessas descabidas que darão fim ao uso do “se”.
O Brasil que o diga!

Todo ano de eleição a pobreza, miséria, fome, discriminação racial, violência, etc.,
Instigam o uso do “se” na ausência das soluções a tanto esperadas.

Se eu fosse um profeta diria: logo logo as lágrimas inundarão o solo em que o ser humano fixar morada, até que num dia nada belo sobrevirá um afogamento de tristezas e proclamará o fim de nossa espécie. Mas como não sou e ainda bem que não o sou, digo apenas o que já é do conhecimento de todos: nossa sociedade está cada vez mais decadente justamente por ignorar o essencial e SE esquecermos o que é essencial...ai sim, estaremos definitivamente perdidos.

Alguma dúvida?!

Ao me perguntar “quando?”
Cria-se um silêncio
Diante da constatação minimamente absurda de que faz tempo
E o tempo fez tanta coisa acontecer...
Mas é o que não aconteceu que entristece
E o que permaneceu que angustia.
Ao refletir sobre “como?”
Encontro apenas sentimentos.
Intensos...sem nexos...dispersos...vibrantes...
Todavia, insuficientes, para o objetivo no qual se propunham.
Indago-me “por quê?”
E sofro, antes de tudo, por conhecer a resposta.
“Até quando?”


Para o momento, talvez a mais significativa das perguntas.

domingo, 11 de novembro de 2007

Te intuir

Criar sentidos,
Organizar,
Construir...
É mesmo válido?
Até que ponto?
Estou com medo
Inconstância: inconstante!
Pois posso
Mas não sei se quero.
Não. Não quero.
Chega de sentidos
Chega dos outros
Adequo-me: egoísmo?
Não sei o que há
Só quero o agora.
Só quero o encontro
Com a tua intuição.

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Indignado com a luz

Decida-se sobre quem sou eu.
Decida-se se tenho ou não luz.
Decida-se e me diga as razões.
Antes vc me considerou estrela
E eu também te vi assim.
Antes eu militante - eu estudante.
Hoje eu militante - eu aluna, a-luz.
Mas o que me faz ter luz?
O que me faz a-luz?
Ter luz própria me tornou sem luz;
Ou luz opaca para tua "Marx"-luz.
Ou luz demais para tua luz segmento?
Estou cegando "educador"...
Para a multidão para quem me ensinou a ser (tua) luz,
Hoje te deixo mudo, surdo, cego.
Eu a-luz, aluna
Que já não encontra a tua luz.
Que está cegando "educador".
"Educador" sim, indignado com a luz.

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Música para esse post.: Aloha - Legião Urbana