segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Miragens

Fora do deserto
Existem outras miragens
Tão reais quanto à gravidade.
Ficar parado é apenas o jeito mais fácil de ser alcançado.
Somos todos sobressaltados por forças que não vemos
E o que vemos, se constrói a partir daí.
A concretude deste mundo é ilusão.
Para os descrentes de opções
Nem todas as explicações dizem alguma coisa.
Afinal, não somos exatamente o que dizemos.
Por vezes nem sabemos o que estamos a dizer.
Assim, somos sem saber por completo.
Levaria mais tempo que a vida pra saber.
Somente fazemos escolhas e seguimos por caminhos.
Temos breves noções e geralmente nos apressamos a ter certezas.
Confiamos cegamente em espelhos
Esquecendo que o transmitido ali é apenas imagem invertida.
A realidade é representada continuamente sob vários prismas.

Numa verdadeira miscelânia de experiências
Onde o real desponta com fragilidade.
Fragmentado em cada individuo.
Somado em toda e qualquer relação.
Subtraído em qualquer ideologia
Dividido e reelaborado em nossa humanidade.
O real é infinito por sua multiplicidade.

Pena que a diferência seja constantemente tomada como desigualdade
E a todo momento reforcemos o medo do que nos parece estranho.

Porém permita-me dizer:
Estou fora deste deserto!
Não me importo!
Vivencio a realidade de minhas próprias miragens!

Letras tristes

Sem razão.
Sem loucura.
Sem amor ou perdão.
Aqui estou!
Mais uma vez...
Entregue ao jogo.
(De Azar?)
Sem cartas na manga.
Sem ânimos excessivos.
Sem pulso.
(Ainda há vida?)
Estou repleto de um sensível vazio!
Apagado.
À espera de algo que não vem.
Distante de mim.
Próximo ao incerto.
Sem cor.
Sem perfume.
Na dimensão do vazio.
Onde o nada é a única reserva de forças.
E eu sou apenas letras.
Mal escritas, nunca lidas e fadadas ao esquecimento.
Melhor seria ser tão somente sem consciência de mim.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Minha Liberdade ou Conhecendo Deus II

A liberdade não é uma corda, são asas!
Não posso me enforcar com minhas asas
Cortá-las talvez, é a máxima permissão.
Mas sei que sempre voltarão a crescer.
Ter asas não é ser feliz, é ser só.
Um só em si mesmo e não de universo.
Asas é possibilidade de escolha
Asas é responsabilidade com o próprio horizonte
Bater as asas ao voar não é minha escolha
É escolha de quem me criou asas
Asas que me levam onde quero
E o que quero nem sempre é o melhor:
É um bater de asas contra Aquele que me concebeu
É um fazer das asas cordas para enforcar a Ele e a mim
É um querer voltar a ser criança que não tem noção das asas.
A liberdade são asas
E que as minhas me levem a presença do Criador.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Longe?

Longe de casa, sem ninguém para me amar
por eu ter surgido de sua vida...
Longe de crianças, para me mostrar
como a vida é simples e bela...
Longe dos amigos de infância, para que eu perceba
que o presente é uma dádiva e o passado,
uma alegria memorável...
Longe de amores possíveis ou paixões fulminantes,
para me fazer sentir o coração vibrar...
Longe da minha cidade, onde tudo eu conheço
e qualquer lugar me faz bem...
Longe da minha conhecida Matriz,
onde eu posso entrar e chorar
acreditando que a Virgem me olha e me quer bem...
Mas sempre perto de Deus,
que quando achei que era tudo tempo perdido,
me trouxe pessoas para amar e me fazer entender
que sempre vale a pena o caminhar da vida!

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

A prostituta das palavras

Brincadeiras de colar palavras
Ou quebrar por puro luxo
Inventar sentidos para o que já tem
Apenas uma nova roupagem
- para impressionar?
Prostituta, prostituta
Que evita se olhar nos olhos
Que evita sentir suas próprias palavras
Prostituta, prostituta
Apenas uma menina que se finge mulher
Criança que acredita nas palavras que diz
Palavras, palavras
Prostituídas palavras nos dedos de uma
voyeur
Que escondem verdades na cápsula do tempo
Que não emitem uma só acorde da vida
Palavras com palavras
Apenas um ruído (in)compreensível
O prazer supremo de quem prostitui palavras.