sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Olhares Refletidos

Sinto-me nua
Tuas palavras me desfiguram
Me levam sempre para o espelho que evito.
Olhos nos olhos da imagem refletida e não sei...
Esses olhos que me devoram, são os meus?
Esses olhos que me devoram, são os teus?
Olhos nos olhos
Olhos nos olhos para me despir
Olhos nos olhos para implorar cobertores.
Olhos nos olhos para refletir
Olhos nos olhos apenas por um reflexo
Reflexo pálido, humilde e triste
Reflexo; desfigurado reflexo!
Olhos nos olhos para buscar palavras que aliviam
[mais que o melhor dos vinhos.
Olhos nos olhos para embebedar sentimentos
Olhos nos olhos para o tocar de dois reflexos
Olhos nos olhos para sentir-me-te.

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Uma mente confusa

Ah...que coisa...
Que angústia é essa?
Não consigo nem ver tv?!?!?!?!
Será possível?!!?!?!?
Já tentei ler um livro
Mas nem minha escritora preferida
Conseguiu me trazer de volta do plano longínquo da inquietude.
Em pé, sentado, deitado...
Meu corpo desajustado parece não encontrar a posição mais confortável que tanto busca.
Esses são apenas os indícios de minha angústia.
Queria mesmo era sair de mim.
Abandonar esta capsúla mortal, tão marcada por nomes como 'erro' e 'acerto'.
Gostaria de ao menos sentir a sensação estrita da liberdade.
Mil pensamentos por minuto...
Estou tonto!!
Por que gira o mundo? Quem gira?
Minha cabeça dói.
Meus sentimentos estão agitados.
Se não incomodasse tanto seria incrivel.
A única e ainda questionável concentração está aqui:
Nas palavras que me representam
E ao mesmo tempo não são "eu" por completo.
É tão confuso...
Como se o meu querer me traisse e me entregasse ao desconhecido que sou eu.
Mas não dêem valor ao que digo.
Os indícios viraram fatos:
A angústia acaba de me consumir.

Quando o exterior se torna importante

A casa está vazia.
Os demais moradores se foram e para onde foram não devo ir.
Não agora.
Ainda pertenço a este lugar.
Solitário lugar.
Repleto de silêncio.
Apenas rompido pelo som de minha consciência
Que não fala, vaga...
Pelos cômodos e cantos livres.
Sempre existem as portas fechadas,
Quase nunca visitadas e por isso mesmo tomadas pela escuridão.
Não da noite, mas do próprio dia que não muda, não chega.
De que servem tantos aparelhos quando o entrentenimento passa despercebido?
Há muita sujeira e bagunça nesta casa.
Posso lembrar de algumas histórias...
Já houve muita vida aqui!
Agora persiste esse vazio decadente.
Casa-grande!
Quem cuidará de seus reparos?!!?
Sozinho não posso...
Preciso de ânimo.
Um pouco de sentido talvez...
Para novamente pintar e mudar ao menos as minhas próprias paredes.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Ausência de sabores

Como é amargo o sabor do fracasso.
Ainda mais quando ele nem existe
E já nos sentimos assim...
Totalmente insípidos pela desesperança.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

De volta as cinzas II

Oh, quarta-feira!
Tu só podias mesmo ser chamada de cinzas
Quarta-feira de cinzas
Cinzas que retornam aos nossos corações
Cinzas, cinzas
É um corpo cansado que tem de ir trabalhar
Cinza, cinza
[-Cinza de rosas!]
Para um amor eterno até a quarta-feira
Cinza, cinza
Eis a cor da realidade que volta sempre na quarta-feira (de cinzas!).
Oh quarta-feira,
Só podias mesmo ser chamada de cinzas!

De volta as cinzas I

Acabou o carnaval.
Que pena!
Poder assumir as máscaras é tão feliz!
Mas eu fui de eu mesma e ninguém percebeu:
- Você veio de Feliz?
- Você veio de Soneca?
Não, não; Não usei máscara de anã
E minha felicidade foi maior que um boneco de Olinda.
No carnaval tudo é tão bom,
Tudo é tão belo.
É aceito o uso de máscaras,
É obrigatório ser feliz.
Felicidade maquiada?
Pode ser; mas pouco importa.
É-se feliz e ponto.
Nas noites dos mascarados Frínico será sempre condenado
Pois carnavalesco algum pode nos fazer chorar.
E viva o Rei Momo
Que seu único pecado é nos deixar vir às cinzas!

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Uma vida sem por que

Porque uns nasceram para isso e outros para aquilo.
Eu não nasci para nada que seja útil aos outros homens.
Sou apenas mais um no meio da multidão.
Mas sou o sem sentido.

Porque uns nasceram para isso e outros para aquilo.
Mas eu sou aquele que não sabe para que veio.
O aquilo e o isso entrelaçam em meu ser;
Ou o isso e o aquilo talvez nem façam parte de mim.

Porque uns nasceram para isso e outros para aquilo.
Mas eu nasci sem sentido.
Apenas um caminhante sem estrada, sem destino.
Sem razão alguma para marchar...

Porque uns nasceram para isso e outros para aquilo.
Eu apenas nasci.