quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Entre velhos e novos caminhos

Perdi o caminho pelo qual eu caminhava feliz e é certo que nele não posso mais trilhar. A estrada já não mais existe para um coração que porta lentes novas.
Na estrada nova caminho lento mesmo sendo levada à andar rápido. Na estrada nova eu (re)conheço as casas, ruas, bancos, avenidas...
Na estrada nova há um espelho enorme onde todos os dias sou obrigada a parar por uns minutos que sejam. É a parte mais dolorosa do caminho. Sei que conheço aquela que vejo no espelho da estrada, mas porque parece-me tão distante? Tão alheia?
Não posso quebrar o espelho. Essa possibilidade por si só já me faz sufocar em dor. Causa-me delírio.
Não posso sair da estrada porque no antigo caminho da "felicidade" já não sou bem vinda. Nem feliz. Não! O certo é que o caminho já não mais existe. Não pode existir. Morreu junto ao meu desesperado choro em busca de solução sem esperanças.
No caminho novo existe sempre o momento do espelho. Não existe sempre dor. Existe também bons momentos de felicidade. Existe quase sempre nostagia. É um bom preço pelas lentes novas e caminho antigo? Não sei, não sei... E ao olhar o espelho também não sei distinguir se o que vejo é o meu "agora", meu passado imediato ou meu futuro próximo.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Ao pé do ouvido


Eu posso até jurar - se isso de algo lhe servir...

Não sei mais que você!

Também não sou o mais forte.

As vezes a vida ainda me assusta.

Mas o que se pode fazer?

É preciso seguir tentando.

Você sabe, tentar sempre será um ato de coragem.

Nisto, acredite, sempre!

Os medos e as imperfeições podem nos ensinar de vez em quando.

Mas serão as situações limites que definirão de imediato quem seremos.

Não espero que entenda o que também não compreendo.

Se resolvi dar o ponto que nos separa

É por acreditar que juntos não seríamos mais do que somos agora.

A parada chegou.

Precisamos descer para caminhar um pouco mais com as próprias pernas.

O que faço neste instante é estender as mãos para que desçamos juntos os primeiros degraus.

O que virá depois....

Bem, o que virá depois será o motivo de nosso futuro (des)encontro.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Da minha ausência

Quando estive ausente
Fui invadida por uma intensa vontade de voltar.
Sentia o perfume, o gosto, a impertinente ausência
De tudo o que estava distante.

Quando estive ausente
Fazia planos para o meu retorno
Sonhava com a presença - se minha, se tua –
Tanto faz!
Sonhava apenas com a presença constante.

Quando estive ausente
Deixei a vida correr ao largo
Tornei-me observadora incessante do estar junto.

Quando estou presente
Sou absorvida pelos indícios de uma falta
Chamada saudade.

Quando estou presente
Nada sou além do espectro
De quando estive ausente.

Quando ausente...
Quando presente...
Serei humana ou serei saudade?

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Razões

Há na vida razões pra tudo.
Pra pensar, o que der e vier
Viver não é tudo, é tudo de um pouco
Sonhar faz parte
Razões pra quê?
Aprender a viver, ser feliz com...
a metade que tenho.
Sonhar é um sonho
de que a vida só é bela
quando alguém quer que ela seja.
A música é linda, é uma poesia
de que a vida não basta.

Ivson Souza

Sem fundo

Não sei se calo, falo ou escrevo.
Penso em calar mas não aguento.
Quero falar mas não sei como.
Tento escrever e não me encontro.
É quando finalmente me rendo e entendo os sussurros da minha alma.

Sabores e amores - experiências pessoais

Somos extremamente influenciados por nossa definição de gosto. E entenda-se por gosto aquele sentido capaz de distinguir e apontar para uma predileção relativa aos sabores experimentados comumente na ingestão de alimentos, mas não somente à eles. Não por acaso costuma-se dizer que gosto não se discute (se lamenta..rs) devido a peculiaridade de cada ser humano em estabelecer o que é bom ou ruim para si. Neste sentido, o conceito de gosto é ampliado e passa a dizer respeito a todo um universo sistemático construído em torno de cada individuo. Mas o interessante é perceber que o gosto é uma invenção que exerce considerável domínio sobre seus inventores. E é através deste domínio que surgem os aspectos de naturalidade, como se cada um carregasse impresso em si, e desde sempre, o que iria gostar ou deixar de gostar. Todavia, o gosto não é algo pronto e muito menos acabado. Permitimos (na maioria das vezes inconscientemente) que ele nos altere, nos modifique e diante deste processo o próprio gosto é modificado, recodificado, ou mesmo reinventado. Sou uma prova cabal do que afirmo.
Com respeito à alimentação, sempre fiz questão de comer somente o que gostava. E convenhamos, quando se come o que se gosta sente-se um enorme prazer! E este prazer era minha maior motivação para seguir desprezando o que considerava ser inferior. O problema é que dificilmente há de se imaginar que tal prazer, ou melhor, que tal gosto, possa atentar contra sua própria existência. Foi o que literalmente aconteceu comigo. Descobri em meio à dolorosas experiências que o que eu mais comia e gostava era também o que mais me prejudicava e consequentemente deteriorava. Agora, sou obrigado a comer de tudo o que não gostava. Muito embora, para meu espanto, tenha percebido que o que antes eu dizia não gostar não é ruim. Tá, também não vou dizer que é a melhor sensação que já tive no paladar. Porém passa longe de ser detestável e melhor, faz bem! Hoje me pergunto se pode haver maior prazer do que cuidar de si e da vida que se possui(?).
De certo o meu gosto me mudou e eu mudei o meu gosto. Já não é a simples sensação do agradável que importa e impera, pois nem tudo o que é bom faz bem. O que por tabela provoca uma reflexão ainda maior sobre o terreno das sentimentalidades. É fácil dizer o que se procura numa pessoa. O difícil é se manter fiel a isso quando se encontra alguém. Eu gosto de fulana pelo que ela é ou pelo que ela pode me dar ou render (seja lá emocional, física ou financeiramente)? Por mais estranho que pareça o nosso gosto, ainda que camuflado por nós mesmos, pode sim estar apenas calcado na vontade de sentir prazer (referido aqui na sua mais ampla dimensão). Não que o prazer seja algo condenável ou abominável, mas está longe de ser um fim em si mesmo e quando é tomado como fim em si mesmo a regra é acabar de maneira trivial, como se as pessoas envolvidas estivessem apenas experimentando o tempero alheio para dizer meramente se é bom ou ruim. É possível gostar desse jogo. Como também é possível estar perdendo quando mais se quer e pensa estar ganhando.
Enfim, cada um (des)conhece o gosto que tem. O que quero terminar dizendo é que os conceitos de gosto e desgosto estão muito mais relacionados à hábitos condicionantes dos grupos nos quais convivemos e nos mantemos do que propriamente à natureza humana ou à personalidade individual. É possível mudar tudo isso. Pode-se gostar do que antes era ruim, feio, detestável, brega, etc. Geralmente precisa-se apenas de bons motivos. O meu está diretamente relacionado a vontade de viver bem, de ter uma rotina, de poder me movimentar livremente, fazer as coisas que gosto e correr atrás de quem quero bem. Há de se pensar que todos querem isso. A idéia é de fato muito agradável, mas é preciso lembrar que gostamos de maneiras diferentes e por isso nem todos sabem ou conseguem dar razão a este querer quando realmente precisam; o mundo do prazer é mais prático, porém também mais perigoso. Acho que finalmente estou aprendendo como se faz e o porquê de se fazer. Os sabores e amores continuarão ao nosso redor para furtar a seiva que ainda nos resta ou para consolidar uma existência ainda desconexa de seu elemento principal.
No fim, realmente é tudo uma questão de gosto.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Ser ou não ser? Hoje, tanto faz.

Melhor não existir por meio de palavras...
As palavras têm sempre contornos precisos e nem sempre é preciso o que penso e pensam sobre mim. Poderia tentar dizer 'o que não sou' ou 'o que gostaria de ser'. Mas 'não sou' muitas coisas e 'gostaria de ser' tantas outras... De modo que não diria muito afinal.
Então, melhor dizer o que não diz nada.
Assim, todos serão livres para dizer alguma coisa, ainda que digam o que não condiz. Mas não me leve a mal.
Apenas rejeito a idéia de traduzir a mim mesmo e não tenho a ânsia de ser conhecido por todos.
Me basta ser dos que são e serão eternamente meus.
Pra quê procurar sentidos se as estrelas são mais belas?!