quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Retrospectiva

Fazer a retrospectiva de uma vida não é algo simples, como isso me parecia no princípio. Eu pensava que bastava catalogar os grandes feitos e também as grandes dores. Mas não é bem disso que a vida é feita. Talvez a parte mais importante esteja justamente no dia a dia não poético. Aqueles que nem mesmo os mais simples poemas de Quintana sejam capazes de traduzir. Momentos cotidianos que acabam por tornar-se muito mais que “passarão” ou “passarinho.” Estes são os momentos difíceis de organizar em uma retrospectiva por mais organizados que pareçam aos que olham de fora, ou para aquele que vive a vida fingindo estar bem com o cotidiano.
Esquecendo todas as grandes vitórias e as grandes perdas, esquecendo até mesmo o que foi de mediano no ano que passa, eu me imponho à angustiante missão de rever o repetitivo.
...
Mas não consigo. É com o se eu me deparasse com o copo vazio; Com “uma metade tristeza, uma metade alegria... ”.

Não posso, não consigo rememorar... é muito pra mim. Assim como tem sido demais ousar pensar o futuro. Conheço as possibilidades e sei que muitos considerariam todas elas de enorme felicidade e sucesso. Mas.... eu não sei.
Música para este post.: Copo Vazio - Chico Buarque

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Memórias roubadas


“Eu custumava correr por aqui meu filho. Nós jogava muita bola nessas bandas. Antigamente era diferente né... as criança pudia ficar na rua... agora não... passa carro, tem muito cabra safado que quer fazer mal. Cê ta vendo ali? Num tinha aquele edificcio porrudo e a mulecada ficava tudo reunida onde ta os carros dos granfino, bem embaixo daquela mangueira lá... êta época boa! Nós tudo tinha que ir pra escola primeiro né... Depois a maioria ia tudo trabalhar pra ajudar o pai e a mãe em casa. Eu vendia tapioca com o primo Tavares. As vezes nós comia mais do que vendia, ai levava bronca quando chegava. Mas mermo assim nós era feliz. No fim do dia nós ia tudo pra baixo da mangueira. Depois da bolinha sagrada de todo os dia, nós ia banhar e voltava pra lá. Sábado e domingo então... era uma festa só... num tinha escola né... ai nós aproveitava mermo! Corria pra tudo que é canto. Daí fui pegando mais idade... e a mangueira foi importante pra outra coisa. Foi por de trás dela que segurei na mão de sua vó pela primeira vez. Lembro benzinho da tremedêra que me deu nas perna... é, cê ta rindo agora, mas um dia vai senti isso também guri. Teve um dia desses que vim por aqui sozinho e fiquei dando vortas ... lembrei de muitas coisa, mas quase num reconheci o lugar. Não foram só as casa antiga que sumiram. As cores, os sons, o cheiro, tá tudo mudado, tudo tão diferente do que era. A gente passa pelos outros e ninguém se olha. Quando olha é de cara feia. O pessoal sempre diz de uma tal de moderna idade. Mas que diacho é isso afinal? Devia ter alguém pra cuidar dessas coisa de memória né? Nós da antiga idade devia ter pelo menos esse direito... direito de nos olhar e reconhecer... esse tempo podia ser de todos e não só de alguns... ainda não entendo como e porque nós os mais velho perde a utilidade nessa vida... E agora vamos perder a nossa mangueira também. O pessoal dos prédio anda reclamando que elas dão prejuízo, que as mangas caem em cima dos carros e amassam tudo. Só que a mangueira tava ali antes dos carros, antes dos prédios e antes dessas pessoa aí. Num me parece muito justo. Mas o prefeito já decidiu né... Pra eles tanto faz... pra nós é como tirar uma parte da vida que tivemos e ainda gostamos de ter. Quando você crescer mais, espero que ainda lembre disso meu filho: Por favor, num seja mais um destes ladrões da memória... Cê não precisa ser nem antigo e nem moderno de mais. Viva e descubra as coisas que tem importância pra você, mas saiba respeitar as coisas dos outros. Eu quero dizer, seja sensível às mangueiras alheias... Que tal um sorvetinho agora?”

sábado, 3 de outubro de 2009

CARTA AOS MEUS AMIGOS

Eu sei que nem todos aqui estão interessados em saber o que eu sou ou deixo de ser. A verdade é que às vezes nem eu estou muito interessado nisso. Portanto, não tenho muitos problemas quanto ao fato de cada um ser livre para se ocupar do que quiser. Pensando nisso, resolvi escrever algumas linhas aos amigos que tem prazer em saber algo sobre mim. Muito embora elas também sirvam aos curiosos de plantão. Confesso que gosto de pensar que alguém nutre o desejo de me entender. Porém, não tenho mais a pretensão de querer controlar os significados ou entendimentos que cada um vai ter a respeito de mim.
Percebi que esse “quem sou eu” em alguns momentos é determinante para compreender o nível de proximidade que tenho com certos amigos. Alguns deles são como controladores de vôo. Têm idéias definidas sobre como tudo deve ser. Quando me apresento dentro dos limites e fronteiras estabelecidas, tudo certo. Do contrário, a coisa tende a desandar. Assim, o relacionamento parece tornar-se possível na medida em que confirmo ou não as idéias que eles têm sobre mim. E isto quase sempre é bem problemático, pois a tensão indica que a qualquer momento podemos nos perder em nossos choques e embates. O lado bom é que, enquanto dá ou vale à pena, acabamos por nos reinventar.
O curioso é que também existem aqueles amigos que aparentemente não estão nem ai para as mudanças que aconteceram ou que acontecem em mim. Estes, de modo geral, continuam me querendo e me tratando muito bem. Só não sei dizer até que ponto realmente se importam. O que sei é que alguns deles não se privam de puxar minhas orelhas quando acham que devem, demonstrando muita sinceridade e vontade de me oferecer o espaço do qual necessito para ser o que quero. E quero mesmo é desaprender para poder me apreender.
Tive ou tenho maior convivência com alguns destes amigos, mas isto não significa que eles sejam mais queridos ou que me queiram mais do que aqueles que estão distantes ou que venho conhecendo agora. O tempo da amizade é valioso, mas raramente é um continuum. Amigos também brigam e passam dias sem se bicar. Mas acima de tudo, se importam e respeitam. Do contrário, simplesmente passam e vão embora. Mais tarde, quando se redescobrem humanos, caso se redescubram humanos, eles retornam – pelos menos alguns deles. Pois do mesmo modo que a afinidade faz com que nos encontremos e distanciemos, a saudade também produz seus reencontros.
Existem amigos que ainda não conheço. Amigos que ainda me são estranhos ou que não são mais do que meros conhecidos agora. Amigos que se revelarão amigos exatamente no momento em que outros amigos estiverem me dando às costas. Pois os amigos são assim, numa hora anjos que nos decepcionam e noutra demônios que nos acolhem de um modo sem igual. Cada um dá aquilo que pode, segundo o que abriga dentro de si. Por isso agradeço aos céus pelos amigos que tenho! No fim das contas todos cumprem um papel peculiar. Agradeço a todos os que de algum modo partilharam ou compartilham suas jornadas comigo. Muito obrigado aos que me ensinaram e me adicionaram idéias, valores, pensamentos e sensibilidades. E muito obrigado também àqueles que souberam extrair essas coisas de mim. Os momentos, as palavras, os sorrisos e as tapas que me devotaram são partes valiosas do que sou.
Este instante é bastante singular para mim, por isso resolvi lhes escrever. Tenho pensado e tomado algumas decisões sobre os meus caminhos. Não sei o que o tempo fará conosco. Mas não me preocupo. “Enquanto vivemos nós somos o tempo”. E, assim, acreditando que nas nossas escolhas reside algum poder de manter aquilo que deve ficar, sei que ficaremos bem independentemente da distância ou da proximidade que nos unir ou separar. Desejo apenas que tenhamos coragem para sermos sinceros com o ser que mora em nós.
Aos que figuram como amigos sem dar muita certeza disso ou aos amigos de conveniência... Acho que não preciso dizer nada.
Aos demais, obrigado pela consideração.


Advertência: o texto acima pode dar a ilusão de que sou um excelente amigo. Mas, por favor, não se engane.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

O homem e a folha de papel

O homem existe e a folha de papel também. Mas a existência de um e outro não é a mesma coisa. O ser humano tem necessidades. A folha de papel não. Ela pode muito bem existir em branco, sem dizer nada. O homem não vive sem dizer nada, ele precisa se comunicar. A folha de papel não. A folha de papel está sempre pronta para ouvir. O homem não. O homem nasceu para falar, enquanto que a folha de papel nasceu morta. Ela não reage a idéias, intrigas, sentimentos, fofocas, palavrões, xingamentos, sofrimentos, hipocrisias, falsidades e todo o resto. Ela é morta. Completa e inteiramente morta! E não tem problemas existenciais quanto a isso. O homem não. O homem é problemático. Demora muito tempo para entender o que deve ser feito com a sua vida. Enquanto isso joga palavras ao vento. Para uma folha de papel, qualquer palavra ao vento pode significar vida. Mesmo quando é machucada a folha de papel não precisa ser segura de si, pois não sente nada. O homem está sempre preocupado com a sua segurança. Quando não tem medo de morrer, tem medo de viver e nisto se priva de existir. A folha de papel existe para um fim que não cabe a ela determinar. O homem continua em seu problema existencial pensando que pode ser feliz. O sonho de felicidade do homem garante a vida de muitas folhas de papel. Mas a folha de papel não sabe quando tem vida e o homem não sabe quando já é feliz...


*Dedico à Welma com carinho...

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Manchete de Faroeste II

Procura-se um sonho desaparecido em meio ao ultimo tiroteio da esperança com a realidade. O sonho foi visto pela ultima vez em meio aos tiros; caminhando de mãos dadas com a inocência. Mas esta, sabe-se que faleceu de ataque fulminante do coração ao ver a esperança em agonia. Do sonho nada mais se sabe. Ou pouco se sabe! Não foi encontrado corpo e, portanto, não se pode afirmar que esteja morto. Há alguns anos atrás, outros já davam como certo que ele havia morrido, mas ele buscou meio de retornar a morada. Muitos disseram que era um outro sonho, mas os que o conhecia desde antes sabiam que era o mesmo; apenas com um estilo um pouco diferente. Afinal, se as pessoas mudam, se a sociedade muda, porque ele também não poderia mudar?
Algumas testemunhas dizem que ele foi baleado pela realidade e que esta, pelos mesmos meios cruéis de sempre, o fez perceber que as pessoas por mais que o soubessem mudado ainda o encarava, o queria e acreditava nele como era outrora. Não há nada que comprove esses depoimentos, mas é consenso dos que estavam no local e daqueles que se esconderam nos prédios e casas ali perto, que em meio ao caos dos escombros ouvia-se desesperadamente um grito aflito e choroso que clamava: "- Me mate, me mate logo; Já não dizem que estou morto mesmo? Me mate, eu já estou morto, me mate, por favor me mate agora...." Não houve tiros, nem qualquer barulho de golpes que ao menos indique que o pedido foi realizado.
Alguns dizem que aquele clamor não era do sonho, que por maior o sofrimento que ele passasse, nunca pediria para morrer deixando na mão todos que acreditam nele. Outros juram veementemente que a voz era mesmo do sonho e que a culpa por ele ter pedido que o matassem não foi da realidade nem daquele homem que dissera pela primeira vez que ele estava morto; a culpa era de todos que sempre esperava tudo dele, mas não o compreendia humano.
Entre inocentes ou culpados o Sonho jaz ou vagueia por aí. Quem o encontrou ou encontrar, por favor, permita-o continuar a existir, nem que seja na esperança dos sonhos humanos....
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Fotografia: "Perdido no vazio do silencio" - Marta Ferreira
Música para este post.: When I Live My Dream - Seu Jorge

segunda-feira, 20 de abril de 2009

O Tempo e Eu: adversias


Se o tempo escorre pelos meus dedos
Eu o acompanho escorrendo de mim.
E o que não compreendo e não consigo alcançar
Transforma em vazio o que deveria ser força.

Se o tempo escorre pelos meus dedos
Eu luto para garantir o sentimento de minha própria grandeza
E se no vazio do campo de batalha eu consigo abrir os olhos:
Esqueço o tempo; estabeleço trégua.

Se o tempo escorre pelos meus dedos
Eu me curvo perante a mim mesma, pois sou fraca.
E se não posso vencer aquilo que sei ser maior que eu
Então eu me curvo perante a mim mesma
Até ser capaz de me vencer.

Se o tempo insiste em escorrer pelos meus dedos
Eu me desespero, eu exagero em busca de explicações.
E até ser capaz de vencer o tempo acompanhando-o,
Uso o tempo a rabiscar estratégias para não escorrer de mim.

quinta-feira, 19 de março de 2009

A magia das manhãs chuvosas

Há algo de mágico nessas manhãs chuvosas!
Essas que nos acordam em pleno amanhecer com seus respingos que passam pelas telhas.
Meio dormindo, meio acordada, mas já feliz; eu apenas puxo o cobertor fingindo querer ignorá-la. Mas estas manhãs chuvosas sabem perpetuar em suas magias.
Estas manhãs chuvosas trazem leveza para a alma ao me transportar para as suas manhãs chuvosas de minha infância:
Ficar até mais tarde de roupas de dormir e meias;
Tomar café da manhã na cama de meus pais assistindo
Os Ursinhos Carinhosos;
"Brincar de ler" com os livrinhos de colorir...
E a magia das manhãs chuvosas continua com os episódios de Capitão Planeta e minhas leituras ainda embaralhadas da Série Vaga-Lume.
Ah! Essas manhãs chuvosas com suas magias...
Sempre me trancafiando nos tempos de minha infância e trazendo de lá a menina de meias!

domingo, 15 de março de 2009

Exercitando saudade

Exercito saudade
pensando em tua ausencia do agora
e do muito em breve.

Exercito saudade
para o que muito em breve
será falta.

Exercito saudade
porque o tempo é
concreto e abstrato.

Exercito saudade
porque já não suporto
a aspereza da falta.

Exercito saudade
para vencer o tempo
do muito em breve.

Assim,
pela necessidade de esperança,
exercito saudade.



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Iconografia: Iman Maleki

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Por uma nova estação


Mas e ela? Em algum momento alguém procurou saber o que a tão admirada e desejada atriz sentia? Às vezes tinha a impressão de ser um troféu. Aquele que soubesse melhor distinguir entre ficção e realidade, também seria aquele que levaria o grande prêmio. Mas talvez a coroa e sua rainha merecessem um pouco mais de atenção. Era tudo o que ela queria; que necessitava! Mas porque afinal eles ignoravam isso? Por que razão aqueles que a queriam tanto, que a observavam tanto, não viam aquilo que ela até sem querer deixava transparecer em seus gestos, em seus olhos, em suas palavras e até no seu silencio?
Obviamente ela gostara do papel a que fora escalada. Caso contrário bem poderia ter dito não. Havia outras trupes, outros enredos, outros atores e diretores que discerniam melhor e até mesmo que seriam capazes de levá-la a confundir-se melhor em meio a linha tênue que separa a arte e a vida. A verdade é que ela decidira ficar ali porque no fundo também sentia a necessidade de balançar aquele mundo real, quase estável, que aquele homem a quem chamava de amor a havia proporcionado. É... E foi mesmo isso; foi uma afronta. Não a ele simplesmente. Ela o amava. “Talvez uma afronta ao amor!” - Dizia a si mesma enquanto ele, sempre atento, a levava para os ensaios. E todos os dias que ficava para vê-la ensaiar ele via tudo, só não conseguia captar o obvio. Só não conseguia perceber que de alguma forma inexplicável aquele relacionamento a deixava desequilibrada, exausta mesmo. Várias vezes já havia pensado em mandá-lo embora de sua vida no intuito apenas de ver o que se passaria então a partir daí. Mas ela não conseguia fazer isso. Repetindo: ela o amava e disso tinha certeza. E acreditava também no amor dele, mas algo, algum desses sentimentos estranhos que avassalam nossas certezas, a informava que tudo nos dois era efêmero. Então quando veio a trupe e aquele ator; ela quis saber como é o que se passa. E tentou. E se entregou àquele jogo envolvente de tentar discernir arte e vida, palco e quarto/cozinha/cama, cenas e dia a dia, ato final e a quase insensatez da vida em continuar fluindo quando todos os viventes desesperavam-se por parar no final feliz. Mas ela não via isso como um ato arriscado; era uma atitude talvez desesperada, mas a seu ver plausível e louvável de obter certezas. Só não sabia ela, ou melhor, insistia em não admitir sua incapacidade quase inata de conviver com o que fosse concreto. Nela sim a velha máxima marxista funcionava com eficácia impar; pois tudo que era sólido em seu coração, desmanchava-se no ar das certezas do mesmo.
Quando Santiago convidou-a para conviverem mais na desculpa de parecer o mais real possível o enredo a ser encenado ela sabia que isso era desnecessário. Se ela aceitou, foi porque encarou aquele convite e o próprio homem a sua frente como a tão sonhada possibilidade de um amor embebido de instabilidade. Sem contar certos atributos que ele possuía e que a desconcertava: certo olhar infantil num corpo tão bem dominado por ele que parecia ser seu mesmo antes que os seus pais o concebessem. Isso a atraia tanto que dava a ela a certeza de que nele iria se perder. Contudo, bastou beija-lo uma única vez para se encontrar como nunca havia acontecido antes.
Até hoje ela não sabe dizer ao certo o que foi aquele turbilhão de emoções que ela mesma a havia imposto. Na verdade, nunca ousou pensar. E tudo isso pelo motivo simples de se perceber sem coragem suficiente para encarar qualquer “verdade” sobre o ocorrido durante os ensaios e toda a temporada.
Resolveu voltar com o homem que sabia que amava mesmo sabendo também que voltariam junto com ele todas as angustias e felicidades daquilo que ela conceituava como amor estável. E no fundo ela desejava isso com tanta intensidade que quando o diretor reuniu a trupe para convocá-los para uma temporada de primavera ela simplesmente disse não; que “talvez no outono!”. Santiago disse o mesmo. E todas as explicações pareceram evasivas perante o sucesso que tinha sido o espetáculo durante todo o inverno. Assim, ficaram na espera do outono todos aqueles que os admiraram no palco, mas que não conseguiram ou que não puderam adentrar no camarim. Hoje ela vive e atua e não sabe se espera. No entanto, ainda sem discernir se o que faz é ficção ou realidade, ela se entusiasma com a possibilidade de um novo enredo.